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03 de maio de 2016 as 00:00 / Geral

2º Fórum Norte Gaúcho do Trigo reuniu mais de 350 pessoas em Estação

O 2º Fórum Norte Gaúcho do Trigo, realizado em Vista Alegre, Estação, no dia 29 de abril, reuniu mais de 350 pessoas, entre produtores rurais, agrônomos, técnicos agrícolas e estudantes para debater o manejo de trigo para altas produtividades, controle de doenças, segregação, mercado e gargalos da cultura. Tendo como tema “Caminho certo para alta produtividade com qualidade”, o evento foi promovido pela Prefeitura de Estação, Sindicato Rural de Getúlio Vargas. Associação Comercial, Cultural, Industrial, de Agropecuária e de Serviços de Getúlio Vargas – ACCIAS, Faculdades Ideau, Sicredi Estação, Emater-Ascar/RS, Associação dos Engenheiros Agrônomos de Getúlio Vargas, e contou com o patrocínio da Basf, Bayer, Biotrigo, Sicredi Estação e Prefeitura de Estação.
A abertura do Fórum foi feita pelo presidente do Sindicato Rural de Getúlio Vargas, Sidnei Beledeli, e pelo prefeito de Estação, Geverson Zimmermann. Participaram da mesa de abertura dos trabalhos o presidente da ACCIAS, Luiz Carlos da Silva; o coordenador do curso de Agronomia da Faculdades Ideau, Ronaldo Meireles; o gerente regional da Emater Alto Uruguai, Gilberto Tonello; o vice-presidente da Sicredi Estação, Ademir Simioni; o presidente da Comunidade de Vista Alegre, Ronei Brandalise. O primeiro palestrante foi o engenheiro agrônomo Dr. em Fitopatologia, Dr. Carlos Alberto Forcelini, que falou sobre manejo e controle de pragas. Ele iniciou apresentando um panorama da cultura e a redução na produtividade causada pelas principais doenças que acometem o trigo, entre elas giberela, bursone, ferrugem da folha. Segundo o especialista, a bursone atacou nos dois últimos anos, porém, com a mudança climática, de El Niño para La Niña, a probabilidade desta doença ocorrer é baixa, pois ela gosta de temperaturas altas, de 25 a 30 graus. De acordo com Forcelini, a temperatura de agosto é determinante para o trigo. SEGREGAÇÃO Importância da Segregação do Trigo foi o tema abordado pelo engenheiro agrônomo e gerente comercial da Biotrigo Genética, Lorenzo Mattioni Viecili. Segundo ele, a indústria moageira brasileira exige trigo de qualidade para atender segmentos: 55% panificação industrial, 15% massas, 17% doméstico, 11% biscoito e 2% outros. São 1,5 milhão de toneladas para consumo interno, sendo que as três primeiras classificações ocupam uma área de plantio de 500 mil ha. Ele explicou que para pensar em segregação é necessário escolher uma boa cultivar que seja certificada e onde será depositada a safra, se em silo próprio ou de terceiros. Conforme falou, a segregação visa liquidez. Lorenzo anunciou, em primeira mão, que em breve será divulgado, via Câmara Setorial do Trigo do RS, um comunicado técnico sobre segregação, grupos de cultivares que possam ser armazenadas em um mesmo silo visando mercado interno. Já o mercado externo visa outros países que exigem % de proteína no grão, no mínimo 12% para mercados de consumo humano. O Ecomonista Chefe da Farsul, Mestre em Economia Aplicada, Doutor em Economia, Antônio da Luz, abordou o mercado de commodities de trigo. Iniciou apresentando números do consumo e projeção de consumo mundial de trigo, de 2006 a 2026. Segundo ele, a demanda são 63 milhões de toneladas. A área plantada aumentou 1,2% em 2015 e deve repetir o aumento em 2016. Ao apresentar a produção no mundo, destacou que a seca na Índia deve afetar a produção em 2016 e a União Europeia e a China devem continuar expandindo em função de maiores áreas e produtividade. Falou que o consumo mundial de trigo apresenta um crescimento linear desde 2013, sendo que a União Europeia deve seguir aumentando seu consumo sendo este estimulado pelo aumento da demanda por ração e o consumo chinês de trigo deve continuar seu trajeto de queda. A EU deve reduzir 10% de suas exportações, voltando aos patamares de 2015. Com uma nova política econômica, a Argentina deve atingir 7,5 mi de toneladas de trigo exportados neste ano. Antônio da Luz ressaltou que mesmo com safra menor, o Brasil deve importar menos, visto que o consumo deve apresentar retração novamente este ano. Com a produção crescendo acima do consumo, novamente os estoques devem apresentar um aumento de 11%. Segundo ele, o aumento esperado para os estoques mundiais tem reflexo no preço do trigo. A área plantada de trigo no Brasil deve reduzir em 10%. Mesmo com o aumento da produtividade, a área menor deve resultar em produção 8% inferior. Ele explicou ainda, que, dada a atual situação econômica do país, o consumo industrial do trigo deve reduzir em 5% em 2016. O consumo para ração permanecerá estável. Conforme sua previsão, a queda na produção deve ser maior que a queda no consumo, será necessário recorrer aos estoques ou mercado externo para suprir a demanda. Com as quedas estimadas para o consumo interno e exportações, a demanda deve retrair mais que a oferta. “Logo, os estoques brasileiros devem aumentar 16%”, afirmou. Já o preço internacional e no RS apresentavam a mesma tendência até 2014, quando a taxa de câmbio era estável. Com a elevação da taxa de câmbio, o preço no RS deixou de refletir os fundamentos do mercado. Ao concluir, Antônio da Luz afirmou que o mercado mundial não vive um bom momento, onde temos excesso de oferta e aumento dos estoques; a consequência disso é a queda dos preços internacionais. Enquanto a taxa de câmbio estiver elevada, o preço no Brasil não reflete a totalidade da queda do preço internacional. O problema é que ninguém é capaz de afirmar com certeza o que irá acontecer com a taxa de câmbio. Para Antônio, a volta da Argentina ao mercado mundial deve trazer preocupações. Segundo ele, o custo de produção continua sendo um problema para a atividade, fazendo com que a triticultura possível seja aquela com alta produtividade. PANORAMA
Após o almoço, os trabalhos da tarde iniciaram com o Presidente das Associação das Empresas Cerealistas do Estado do Rio Grande do Sul (Acergs), Vicente Roberto Barbiero, que falou sobre a segregação do trigo na visão dos cerealistas. Ele iniciou apresentando um panorama dos estoques de trigo no mundo, no Mercosul e no Brasil. Segundo ele, atualmente existem disponíveis mais de 40 cultivares de trigo no RS. A produtividade no Estado em 2015 oscilou entre 15 sc/ha a 60sc/;ha, mantendo uma média de 28,2 sc/ha.
Já o Presidente da Comissão de Trigo da Farsul e Consultor Técnico das Culturas de Trigo da Câmara Temática do MAPA, Hamilton Jardim, apresentou a Visão da Farsul sobre os Gargalos na Cultura do Trigo. Segundo ele, o Brasil tem o mais alto custo de produção por tonelada de trigo (US$ 341,00), perdendo para Rússia (US$ 193,60, Argentina (US$ 172,37) e Ucrânia (US$ 169,60).
Encerrando o 2º Fórum Norte Gaúcho do Trigo, aconteceu a palestra do Engenheiro Agrônomo, Conselheiro do Conselho Científico para Agricultura Sustentável. Dr. Dirceu Neri Gassen. Ele falou sobre Manejo em Trigo para Altos Rendimentos. Segundo ele, a rentabilidade é proporcional ao conhecimento aplicado por ha. Conforme explicou, a semeadura é que define o potencial de produção da lavoura, assim como a sanidade define o peso e a qualidade dos grãos.


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